Por que os sindicatos devem convocar greve geral pelo fim da escala 6×1 e redução da jornada

Por Weller Gonçalves O debate e a pressão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 têm ganhado força no Brasil nos últimos anos. Em um país marcado por baixos salários e elevados índices de adoecimento físico e mental relacionados ao trabalho, cresce a percepção de que a luta por melhores condições de vida exige uma transformação profunda na organização do tempo de trabalho. Nesse contexto, surgiu o movimento VAT (Vida Além do Trabalho). Tudo começou com um abaixo-assinado virtual que – depois de crescimento nas redes sociais – angariou milhões de assinaturas. Com isso, o debate tornou-se pauta nacional, debatida nos últimos três anos. As centrais sindicais deveriam ter radicalizado e convocado dias nacionais de luta e uma greve geral nacional, com o objetivo de pressionar governos e empregadores pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e pela extinção da escala 6×1. Do mesmo modo, poderiam ter iniciado uma ofensiva contra a pejotização e pela revogação das reformas que retiraram direitos dos trabalhadores. Contudo, não foi o que ocorreu. O Governo Federal, de início, foi contra o movimento. Depois que o VAT se popularizou, porém, o presidente Lula (PT) passou a defender a pauta e enviou – em ano eleitoral – um projeto em regime de urgência para o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados pautou o projeto e articulou a sua aprovação, ocorrida em 27 de maio. A proposta aprovada prevê redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, com período de transição. Com isso, a jornada passaria para 42 horas semanais 60 dias após a promulgação da lei e para 40 horas somente um ano depois. É muito tempo. Defendo a redução imediata da jornada de trabalho para 36 horas semanais, com escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três de descanso). Isso é possível e necessário para o futuro de uma geração doente e em crise com o sistema atual, principalmente tendo em vista o avanço da tecnologia e a alta lucratividade das grandes empresas. Com a automação, a digitalização e a modernização dos processos produtivos, as empresas têm potencial de produzir mais em menos tempo. Entretanto, os benefícios desses avanços têm sido distribuídos de forma desigual, concentrando-se principalmente nos lucros dos grandes capitalistas. Setores empresariais argumentam que o projeto do fim da escala 6×1 vai gerar desemprego e “quebrar” o país. São os mesmos argumentos utilizados para tentar barrar conquistas históricas, como o 13º salário e o direito a férias remuneradas. Hoje, os empresários pagam os direitos trabalhistas previstos e seguem tendo recordes de lucro. Por isso, a aprovação do projeto na Câmara dos Deputados é uma vitória para a classe trabalhadora, fruto da pressão popular nas manifestações de rua e nas redes sociais. O tema, agora, está no Senado, mas estacionado. o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, já afirmou não ter pressa para a tramitação. Em vez de dar celeridade ao processo, senadores de direita e extrema direita apresentaram uma PEC (Projeto de Emenda à Constituição) diferente, popularizada como “PEC das Horas Trabalhadas” ou “PEC da 7×0”. No discurso deles, o trabalhador teria mais liberdade de negociar com o empregador o salário, a escala e a quantidade de horas trabalhadas. Na prática, a PEC rasga a CLT. Por isso, é urgente uma luta unificada da classe trabalhadora brasileira, para pressionar o Senado a votar imediatamente o fim da escala 6×1. Esse modelo funciona como uma escravidão moderna e tornou-se símbolo de uma realidade desgastante para milhões de brasileiros, principalmente mulheres, que têm dupla e tripla jornada de trabalho nessa sociedade desigual e machista. Além do mais, a escala 6×1 impõe limitações severas à vida pessoal, familiar e social dos trabalhadores. Com apenas um dia de descanso semanal, grande parte da população tem dificuldade para dedicar tempo ao convívio familiar, à educação, ao lazer e ao cuidado da saúde. Diversos estudos apontam que jornadas excessivas estão associadas ao aumento do estresse, da ansiedade, da depressão e de doenças ocupacionais mentais e físicas. É importante considerar, ainda, que essa jornada ocorre principalmente em segmentos que pagam baixos salários e precarizam as condições de trabalho. Cabe ressaltar, ainda, que a redução da jornada de trabalho não é uma reivindicação nova. Historicamente, todas as grandes conquistas trabalhistas foram resultado da mobilização coletiva. A jornada de oito horas diárias, hoje considerada um direito básico em grande parte do mundo, foi conquistada após décadas de greves, protestos e organização sindical. Países e empresas que testaram jornadas reduzidas observaram, na maioria dos casos, manutenção ou até aumento da produtividade, além de melhorias nos índices de satisfação e saúde dos trabalhadores. A greve geral é um instrumento legítimo de pressão social. Diferentemente de negociações isoladas por categoria, uma paralisação nacional unificaria trabalhadores de diversos setores em torno de uma pauta comum. Isso ampliaria a visibilidade do debate e aumentaria a pressão sobre o Senado, o Governo Federal e as entidades empresariais para aprovarem a redução da jornada e o fim da escala 6×1 imediatamente. O movimento grevista também poderia discutir mudanças estruturais na legislação vigente, como a revogação das reformas trabalhista e previdenciária e o fim da terceirização e pejotização. É importante pressionarmos os senadores e o governo, mas é primordial não confiarmos no Parlamento. Nossa única crença é na organização e mobilização da classe trabalhadora. Infelizmente, a maioria das centrais sindicais, dos sindicatos e movimentos sociais do país estão totalmente atrelados ao governo Lula e, por isso, não organizam, de fato, a luta da classe trabalhadora. A CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular) e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região defendem a greve geral e a mobilização direta da nossa classe, com independência diante dos patrões e governos e realização de um dia nacional de luta. O debate sobre a jornada de trabalho não trata apenas de horas trabalhadas, mas de qual modelo de sociedade pretendemos construir. Questionar a jornada de trabalho é questionar a lucratividade dos capitalistas. É a oportunidade de debater com os trabalhadores a necessidade de superação desse sistema e
Contra a ordem de despejo da comunidade Menino Jesus!

A ameaça de despejo contra centenas de famílias da Comunidade Menino Jesus, em São José dos Campos, escancara, mais uma vez, a verdadeira face do sistema capitalista e de um poder público governado para atender os interesses dos ricos. Enquanto trabalhadores pobres, mães solo, idosos, crianças e pessoas com deficiência vivem sob o medo permanente de perder suas casas, empresários inadimplentes e especuladores imobiliários seguem protegidos pelo Estado, pela Justiça e pelos governos de turno. A situação da comunidade revela um retrato cruel da política urbana brasileira. De um lado, uma empresa que acumula milhões em dívidas de IPTU e mantém o terreno abandonado há décadas. Do outro, centenas de famílias que deram função social à área, construíram suas casas, organizaram a vida e transformaram o espaço em local de moradia e sobrevivência. Ainda assim, quem sofre ameaça de remoção são justamente os pobres moradores. O que ocorre na Comunidade Menino Jesus é parte de uma política permanente de criminalização da pobreza e entrega das cidades à especulação imobiliária. Em São José dos Campos, o fantasma do Massacre do Pinheirinho continua vivo na memória do povo trabalhador. A cidade, governada há décadas por administrações comprometidas com empresários, empreiteiras e grandes proprietários, mantém a mesma lógica: negar moradia digna ao povo enquanto protege os interesses dos ricos. O prefeito Anderson Farias, do PSD, dá continuidade a essa política de exclusão social. Sua gestão se apresenta como moderna e eficiente para os grandes empresários, mas, na prática, mantém o abandono das periferias e trata a população pobre como problema de polícia. Enquanto faltam políticas sérias de habitação popular, regularização fundiária e assistência às famílias trabalhadoras, sobra disposição para atender os interesses da especulação imobiliária e manter uma cidade voltada para o lucro e não para as necessidades do povo. E isso acontece justamente em uma das cidades mais ricas do Brasil. São José dos Campos arrecadou, em 2025, cerca de R$ 5 bilhões em receita pública. Dinheiro existe. O que falta é vontade política para colocar os recursos da cidade a serviço da população trabalhadora. Exigimos que o prefeito Anderson Farias tome as medidas necessárias para resolver o problema da Comunidade Menino Jesus, garantindo moradia digna e segurança para as famílias. Não aceitaremos a desculpa de falta de recursos enquanto bilhões são destinados a grandes empresários e aos projetos de interesses dos capitalistas. Também denunciamos a responsabilidade do governador Tarcísio de Freitas, que controla a Polícia Militar do estado de São Paulo. É o governo estadual quem coloca a PM a serviço dos despejos e da repressão contra o povo pobre. A mesma polícia que deveria garantir segurança para a população é constantemente utilizada para defender os interesses dos grandes proprietários e da especulação imobiliária. Tarcísio governa para a burguesia, para os milionários e para os setores mais reacionários da sociedade, aprofundando uma política de violência contra as periferias, ocupações urbanas e movimentos populares. A Prefeitura lava as mãos e afirma não ter condições de garantir moradia às famílias. A Justiça exige planos de desocupação, mas não exige planos reais de habitação popular. A Polícia Militar se prepara para cumprir ordens de despejo, enquanto o Estado permanece ausente quando o assunto é saneamento, emprego, saúde ou regularização fundiária. A Comunidade Menino Jesus luta e se organiza. As mulheres da comunidade assumiram a linha de frente da resistência, criaram associação de moradores, organizaram um sistema de limpeza coletiva, horta comunitária, segurança e apoio mútuo entre as famílias. Enquanto o Estado aparece com repressão e abandono, os trabalhadores demonstram, na prática, que somente a solidariedade e a organização da classe trabalhadora podem garantir dignidade ao povo pobre. Para nós do PSTU, o despejo de famílias pobres para atender aos interesses da especulação imobiliária é violência de classe. Não existe neutralidade quando a polícia entra nas comunidades para arrancar trabalhadores de suas casas. O aparato do Estado atua para proteger a propriedade privada dos grandes empresários, mesmo quando essa propriedade não cumpre qualquer função social. Defendemos: a suspensão imediata de qualquer ordem de despejo; a regularização da área da Comunidade Menino Jesus para as famílias que nela habitam; a garantia de moradia digna para toda a população trabalhadora; a punição das empresas especuladoras e a cobrança das dívidas milionárias acumuladas; investimento massivo em habitação popular sob controle dos trabalhadores. A luta da Comunidade Menino Jesus também é a nossa luta. Quando uma comunidade resiste contra o despejo, ela enfrenta não apenas uma empresa ou uma decisão judicial, mas toda a lógica de um sistema capitalista que transforma moradia em mercadoria e trata vidas humanas como obstáculos ao lucro. Nenhuma família sem teto! Nenhum despejo! Moradia é um direito do povo trabalhador!
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Dia Internacional dos Trabalhadores é data de luta, não de festa

Weller Gonçalves Mais um 1º de Maio se aproxima em meio a ataques de governos e grandes empresários às reivindicações da classe trabalhadora. No Brasil, a data reforça a urgência de combater a retirada de direitos, com destaque para a luta pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário, contra a pejotização e precarização e por melhores salários e condições de trabalho. A origem do 1º de Maio remonta à greve geral de 1886, em Chicago (EUA), quando operários enfrentavam jornadas exaustivas de até 14 horas diárias e foram brutalmente reprimidos. Após o episódio da praça Haymarket, que deixou mortos e resultou na execução de dirigentes do movimento – os “Mártires de Chicago” –, a data consolidou-se como um marco histórico da luta por direitos, especialmente pela jornada de oito horas diárias. Hoje, no Brasil, o cenário repete velhos discursos patronais que tratam a redução da jornada como ameaça econômica. A grande mídia, setores políticos e o empresariado atuam contra a mobilização, difundindo o medo do desemprego para proteger seus lucros. Não podemos criar ilusões de que os governos vão resolver os nossos problemas. Nossas conquistas vêm da nossa luta. Esse contexto se conecta com o avanço de políticas ultraliberais em outros países. Na Argentina, as recentes reformas implementadas pelo governo de Javier Milei aprofundam a flexibilização trabalhista, atacam direitos históricos e enfraquecem organizações sindicais, sob o argumento de “modernização” da economia. Na prática, essas medidas ampliam a precarização e servem de alerta para trabalhadores de toda a América Latina. Diante disso, o movimento sindical enfrenta o desafio de organizar não apenas trabalhadores formais, mas também informais, “PJ”, uberizados, estudantes e setores oprimidos. No Vale do Paraíba, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região (SindmetalSJC) se destaca por sua atuação independente e classista, em contraste com centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, que não organizam a luta direta da classe trabalhadora por estarem atreladas ao governo federal. Para o Sindicato, é um princípio a independência de classes diante dos patrões e dos governos. Infelizmente, a maioria dos sindicatos e centrais sindicais do nosso país celebra o 1º de Maio com “ato-show” despolitizado, que não educa a classe trabalhadora sobre a importância da data. Filiado à CSP-Conlutas, o SindmetalSJC defende pautas como a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais sem redução de salário, o fim da escala 6×1, da terceirização e da pejotização, além da revogação das reformas trabalhista e previdenciária. Sua atuação resgata o espírito combativo das lutas operárias históricas. Um exemplo recente dessa resistência é a vitória dos trabalhadores da Avibras, que, após quatro anos de mobilização e 1.280 dias de greve, conquistaram o pagamento de dívidas trabalhistas e a retomada da fábrica em Jacareí, sem apoio efetivo dos governos. Nem Bolsonaro nem Lula socorreram esses metalúrgicos, mesmo após inúmeros pedidos do Sindicato. Lembramos, ainda, que a luta da classe trabalhadora vai para além do local de trabalho: envolve a construção de uma sociedade mais justa, enfrentando desigualdades que atingem mulheres, negros, população LGBT+, povos originários e os mais pobres. É uma batalha que engloba o combate ao feminicídio, à misoginia, à morte de negros e pobres, à fome, à grilagem de terras, à transfobia e LGBTfobia e a todas as opressões. Cabe aos sindicatos fortalecer a consciência política dos trabalhadores, enfrentar a exploração do sistema capitalista, defendendo a distribuição de riquezas e uma transformação social profunda, e lutar por uma sociedade socialista. Viva a luta dos trabalhadores! Weller Gonçalves é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas, e dirigente do PSTU.
Guilherme Boulos (PSOL), cadê o Projeto de Lei pela estatização da Avibras?

A luta dos trabalhadores da Avibras começou em 18 de março de 2022, quando a empresa demitiu 420 trabalhadores e entrou com pedido de recuperação judicial. Fruto de uma luta heroica dirigida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região (SP), as demissões foram canceladas e com isso se manteve os 1.400 empregos. De abril a setembro de 2022, a empresa começou a atrasar os salários, e em 9 de setembro daquele ano os trabalhadores entraram em greve por tempo indeterminado, a luta segue até os dias atuais, e em 6 de junho de 2025 completou 1.000 dias de greve. Esta é uma das greves mais longas da história do movimento sindical brasileiro. A Avibras é a principal indústria de defesa do pais fundada em 1961 e seus trabalhadores são altamente qualificados na produção de mísseis, foguetes, veículos blindados e seu atual principal produto o lançador Astros 2020. É uma empresa estratégica e importante para a soberania do nosso país. A luta e a crise começaram em, 2022 quando o presidente era Bolsonaro, que nada fez, hoje o presidente é Lula (PT) que segue omisso cometendo “um crime com a Avibras”. Histórico de crises na Avibras Esta é a terceira crise e a mais importante de sua história, a primeira em 1988 levou o sindicato a abrir um debate com os trabalhadores e uma campanha na sociedade pela estatização da empresa. O sindicato realizou um seminário sobre a indústria bélica naquele ano e a principal conclusão foi a defesa da estatização das empresas do setor de defesa da região. Na época tinha a Engesa, que fabricava de tanques de guerra que encerrou as atividades no ano de 1993, uma grande perda para o nosso país. Em 1988, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu dinheiro para a Avibras efetuar o pagamento dos salários dos trabalhadores. A segunda crise foi em 2012, onde mais uma vez o sindicato, além da organização da luta dos trabalhadores para receberem os salários atrasados, retomou a campanha pela estatização da empresa. Fruto da cobrança do sindicato, o governo federal liberou a antecipação de sua parte financeira do projeto Astros o que garantiu o pagamento dos salários atrasados. Nesta terceira e mais longa crise, o debate da estatização ganhou mais força. Além da Avibras, outras empresas do seguimento de defesa começam a operar na região de São José dos Campos, todas com contratos com governos de países estrangeiros. Estive em Brasília várias vezes ao longo destes três anos cobrando do governo federal a estatização da empresa. Por várias vezes procuramos e cobramos os deputados e senadores além de um posicionamento em defesa da luta dos trabalhadores, exigimos principalmente dos deputados do campo da esquerda que levasse a frente um Projeto de Lei (PL) pedindo a estatização da Avibras. Boulos envia ao congresso projeto de lei para que governo compre a Avibras Guilherme Boulos, deputado federal pelo PSOL, enviou um PL ao Congresso Nacional no dia 17 de julho de 2024. Fez uma live no canal Arte da Guerra dia 9 de agosto e parou por ai. A redação do projeto está muito bem fundamentada, concordo com os principais pontos apresentados. De acordo com o PL, a desapropriação da Avibras tem como objetivo: — Reforçar a posição estratégica da defesa do Brasil e a segurança nacional; — Permitir a retomada de investimento dos projetos em andamento e de novos projetos; — Garantir às forças armadas o abastecimento perene de insumos estratégicos à operação; — Possibilitar que a administração pública direcione investimentos para projetos essenciais à defesa do Brasil. Os trabalhadores da Avibras esperavam que o deputado viesse até a porta da fábrica onde existe uma vigília dos trabalhadores desde setembro de 2022, que procurasse o sindicato para fazer uma ampla campanha de convencimento a população para levar esta pauta adiante. Por que Boulos não deu sequência no PL? Penso que o alinhamento político do deputado com o governo Lula seja o motivo principal do porquê o deputado “sumiu” e não toca mais neste assunto. Em várias reuniões com representantes do governo federal, cito as mais importantes com o vice-presidente da República Geraldo Alkmin e com o ministro da defesa José Múcio, foram categóricos em dizer que o governo federal não tem interesse em estatizar a Avibras. Boulos chega a ser cogitado para ser ministro do governo Lula, o que está gerando várias polêmicas no PSOL, será que Boulos levaria a fundo uma campanha como esta? Será que bateria de frente com o seu chefe para defender os trabalhadores e os interesses do país e da soberania nacional? Será que Boulos se juntaria junto com um Sindicato que tem como princípio a independência de classes e não apoia nenhum governo, e sabe que aqui não tem papas na língua para falar a verdade do governo para os trabalhadores? Projeto de Lei para ficar na gaveta não serve para nada! Hoje existe uma possibilidade de retomada da empresa. Um plano alternativo a recuperação judicial foi aprovado. O sindicato votou a favor do plano, depois de um amplo processo de debate junto com os trabalhadores. O governo federal mais uma vez bate cabeça, com a União se manifestando contra o plano cobrando tributos da atual Avibras e o BNDES entrou com ação, onde conseguiu liminar para retirar parte do maquinário da empresa que foi colocado como garantia a empréstimos realizados. Para eles, os bancos, os governos não podem ficar na mão; e os trabalhadores? São 26 salários atrasados. Aguardamos o posicionamento do deputado do PSOL cobrando do governo para que não atrapalhe a possibilidade de volta da empresa, que exija do judiciário a homologação do plano, se conseguirmos o retorno das atividades da principal indústria de defesa do país depois de um amplo processo de luta será uma grande vitória que servirá como referência para todos os trabalhadores no mundo. Sem falar que teremos de volta uma empresa essencial para a promoção do desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro que é fundamental para a
A omissão do governo Lula diante da crise na Avibras

A Avibras, principal empresa do setor de Defesa do Brasil, vive sua mais grave crise, que atingiu em cheio os trabalhadores, que desde 2022 lutam para manter seus empregos, seus salários e pela retomada das operações da fábrica, localizada em Jacareí (SP). Da linha de produção e dos setores de desenvolvimento e engenharia da Avibras, durante décadas saíram mísseis, lançadores de foguetes, veículos blindados, bombas inteligentes, sistemas de comunicação por satélite e Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants). É da Avibras o sistema Astros 2020, viaturas lança-mísseis capazes de atingir alvos de até 300 km e um dos principais programas estratégicos do setor de Defesa do Brasil. Segundo informe divulgado em 2023 pelo próprio Ministério da Defesa, o sistema fomentaria a geração de mais de sete mil empregos diretos e indiretos. Apesar de sua reconhecida importância para a soberania nacional, a Avibras atravessa a mais severa crise de sua história. Em 2022, entrou com pedido de recuperação judicial e parou de pagar os salários dos 1.400 trabalhadores da fábrica. Essa foi a origem da greve iniciada em 9 de setembro de 2022 e que ainda hoje está em andamento. Já são mais de mil dias de mobilização. Daquele quadro de profissionais, restam pouco mais de 900. Todos estão há 26 meses sem salário, sem FGTS e sem convênio médico. Aqueles que saíram não receberam as verbas rescisórias. É preciso investimento do Estado Mas esta não é a primeira crise enfrentada pela Avibras. Em 1988, começaram seus primeiros problemas, sem uma política de investimentos do Estado brasileiro. Em 1990, a empresa pediu concordata e demitiu mais de 900 trabalhadores. Em 2008, entrou em recuperação judicial. Em 2011, demitiu 170 trabalhadores. Essa constante turbulência confirma que a indústria bélica, assim como acontece em outros países, depende do aporte do governo federal. Na crise iniciada em 2011, por exemplo, o aporte veio com a liberação inicial de R$ 1,056 bilhão para a compra do Astros 2020 pelo Exército brasileiro. Apesar da necessidade urgente em investir agora na brasileira Avibras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mantém omisso, enquanto investe na compra de armamentos e equipamentos de empresas estrangeiras. Em 2024, um grupo israelense venceu a licitação internacional para o fornecimento de 36 veículos blindados de combate obuseiros, no valor aproximado de R$ 1 bilhão. Por enquanto, a compra foi suspensa, mas não cancelada. Se fosse investido na Avibras, esse valor tornaria possível a regularização dos salários, pagamento de outros credores e a retomada da fábrica. No mesmo ano, o Exército brasileiro anunciou a compra de uma centena de mísseis norte-americanos FGM-148 Javelin, fabricados pela Raytheon e Lockheed Martin. Antes do agravamento da atual crise, 90% da produção da fábrica era destinada a outros países, em especial do Oriente Médio. Resultado: sem um plano estratégico nacional, a empresa fica vulnerável diante de qualquer instabilidade no mercado internacional. Em um cenário de guerras e conflitos armados no mundo, é preciso colocar na ordem do dia a defesa do nosso país. No início deste ano, o governo federal anunciou que o programa Nova Indústria Brasil (NIB), criado para estimular setores estratégicos por meio de compras públicas, tem R$ 112,9 bilhões para investir em tecnologias de Defesa e soberania nacional. Em nenhum momento, a Avibras foi citada por Lula como possível beneficiada. Governos omissos O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região vem pressionando o governo federal, desde a gestão de Jair Bolsonaro (PL), e até agora nenhuma medida concreta foi tomada pelos governantes. Ao contrário. Recentemente, a União criou dificuldades para a homologação de um plano alternativo à recuperação judicial. O pedido feito na Justiça exige que a Avibras apresente certidões negativas de débitos fiscais como condição para a homologação, sob pena de suspensão do processo de recuperação judicial, com a imediata retomada de eventuais pedidos de falência. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também agiu para atrapalhar a retomada da fábrica, ao entrar com pedido de busca e apreensão de maquinários. O banco e a União são credores da empresa. Essa postura confirma que o governo Lula não representa os trabalhadores. Os empresários estão no topo das prioridades do presidente. No ano passado, o governo destinou R$ 400 bilhões em financiamentos para empresários do agronegócio, além de outros subsídios dados a empresas multinacionais. Já os mais pobres têm de enfrentar cortes no orçamento e arcabouço fiscal. O Sindicato está pedindo agendamento de reunião com o presidente Lula desde os primeiros dias de seu mandato, mas o silêncio continua. Nesses três anos, empresas estrangeiras chegaram a negociar a compra da Avibras, mas sem que as transações fossem concluídas. Hoje, a Brasil Crédito Gestão Fundos de Investimentos está a poucos passos de concluir a aquisição, dependendo apenas da homologação do plano alternativo. Seria o caminho para que a Avibras saísse do comando do atual proprietário e responsável pela crise, João Brasil Carvalho Leite, e a fábrica voltasse a operar. A saída de João Brasil atenderia a uma das condições impostas pelo governo para voltar a investir na fábrica. Representantes do governo federal afirmaram, em reunião com o Sindicato, que enquanto o atual proprietário estivesse à frente da Avibras, não haveria possibilidade de investimento público, em razão das dívidas da atual empresa com o governo. A afirmação foi feita em encontros do Sindicato com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho – este, de ultradireita. Em abril de 2024, estive em evento que teve a participação do presidente Lula na fábrica da Embraer, em São José dos Campos. Na cerimônia, Lula anunciou financiamento com dinheiro público, via BNDES, para as exportações de aeronaves produzidas pela Embraer. Na ocasião, entreguei uma carta, relatando a situação da Avibras e o drama dos trabalhadores, que naquele momento estavam com doze salários atrasados. Numa conversa de um minuto, Lula me disse: “Isso não pode ficar assim, nós vamos resolver”. Mais de um ano se passou e já são 26 salários atrasados. Até agora, nada ficou resolvido.