Contra a ordem de despejo da comunidade Menino Jesus!

A ameaça de despejo contra centenas de famílias da Comunidade Menino Jesus, em São José dos Campos, escancara, mais uma vez, a verdadeira face do sistema capitalista e de um poder público governado para atender os interesses dos ricos. Enquanto trabalhadores pobres, mães solo, idosos, crianças e pessoas com deficiência vivem sob o medo permanente de perder suas casas, empresários inadimplentes e especuladores imobiliários seguem protegidos pelo Estado, pela Justiça e pelos governos de turno.

A situação da comunidade revela um retrato cruel da política urbana brasileira. De um lado, uma empresa que acumula milhões em dívidas de IPTU e mantém o terreno abandonado há décadas. Do outro, centenas de famílias que deram função social à área, construíram suas casas, organizaram a vida e transformaram o espaço em local de moradia e sobrevivência. Ainda assim, quem sofre ameaça de remoção são justamente os pobres moradores.

O que ocorre na Comunidade Menino Jesus é parte de uma política permanente de criminalização da pobreza e entrega das cidades à especulação imobiliária. Em São José dos Campos, o fantasma do Massacre do Pinheirinho continua vivo na memória do povo trabalhador. A cidade, governada há décadas por administrações comprometidas com empresários, empreiteiras e grandes proprietários, mantém a mesma lógica: negar moradia digna ao povo enquanto protege os interesses dos ricos.

O prefeito Anderson Farias, do PSD, dá continuidade a essa política de exclusão social. Sua gestão se apresenta como moderna e eficiente para os grandes empresários, mas, na prática, mantém o abandono das periferias e trata a população pobre como problema de polícia. Enquanto faltam políticas sérias de habitação popular, regularização fundiária e assistência às famílias trabalhadoras, sobra disposição para atender os interesses da especulação imobiliária e manter uma cidade voltada para o lucro e não para as necessidades do povo.

E isso acontece justamente em uma das cidades mais ricas do Brasil. São José dos Campos arrecadou, em 2025, cerca de R$ 5 bilhões em receita pública. Dinheiro existe. O que falta é vontade política para colocar os recursos da cidade a serviço da população trabalhadora. Exigimos que o prefeito Anderson Farias tome as medidas necessárias para resolver o problema da Comunidade Menino Jesus, garantindo moradia digna e segurança para as famílias. Não aceitaremos a desculpa de falta de recursos enquanto bilhões são destinados a grandes empresários e aos projetos de interesses dos capitalistas.

Também denunciamos a responsabilidade do governador Tarcísio de Freitas, que controla a Polícia Militar do estado de São Paulo. É o governo estadual quem coloca a PM a serviço dos despejos e da repressão contra o povo pobre. A mesma polícia que deveria garantir segurança para a população é constantemente utilizada para defender os interesses dos grandes proprietários e da especulação imobiliária. Tarcísio governa para a burguesia, para os milionários e para os setores mais reacionários da sociedade, aprofundando uma política de violência contra as periferias, ocupações urbanas e movimentos populares.

A Prefeitura lava as mãos e afirma não ter condições de garantir moradia às famílias. A Justiça exige planos de desocupação, mas não exige planos reais de habitação popular. A Polícia Militar se prepara para cumprir ordens de despejo, enquanto o Estado permanece ausente quando o assunto é saneamento, emprego, saúde ou regularização fundiária.

A Comunidade Menino Jesus luta e se organiza. As mulheres da comunidade assumiram a linha de frente da resistência, criaram associação de moradores, organizaram um sistema de limpeza coletiva, horta comunitária, segurança e apoio mútuo entre as famílias. Enquanto o Estado aparece com repressão e abandono, os trabalhadores demonstram, na prática, que somente a solidariedade e a organização da classe trabalhadora podem garantir dignidade ao povo pobre.

Para nós do PSTU, o despejo de famílias pobres para atender aos interesses da especulação imobiliária é violência de classe. Não existe neutralidade quando a polícia entra nas comunidades para arrancar trabalhadores de suas casas. O aparato do Estado atua para proteger a propriedade privada dos grandes empresários, mesmo quando essa propriedade não cumpre qualquer função social.

Defendemos:

  • a suspensão imediata de qualquer ordem de despejo;
  • a regularização da área da Comunidade Menino Jesus para as famílias que nela habitam;
  • a garantia de moradia digna para toda a população trabalhadora;
  • a punição das empresas especuladoras e a cobrança das dívidas milionárias acumuladas;
  • investimento massivo em habitação popular sob controle dos trabalhadores.

A luta da Comunidade Menino Jesus também é a nossa luta. Quando uma comunidade resiste contra o despejo, ela enfrenta não apenas uma empresa ou uma decisão judicial, mas toda a lógica de um sistema capitalista que transforma moradia em mercadoria e trata vidas humanas como obstáculos ao lucro.

Nenhuma família sem teto! Nenhum despejo! Moradia é um direito do povo trabalhador!

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